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NOTICIAS Antonella Zara fala sobre o livro A Ciência da
Paixão By Vanessa Mael
A carioca Antonella Zara, de 34 anos, é a autora
de "A Ciência da Paixão", livro
lançado em dezembro de 2002 pela Editora Fissus
do Rio de Janeiro. Antonella, que reside atualmente no
sul da Bahia, estará em novembro lançando
a obra em Newark. Num breve bate papo com o Brazilian
Press, ela fala um pouco mais sobre o livro e seu relacionamento
com Paulo Coelho.
1) Brazilian Press: Você já tem outros
livros publicados?
Zara: Este é o meu segundo livro. O primeiro foi
um romance entitulado "Aipotu e o Viajante da Utopia"
(Editora Casa da Palavra, Rio de Janeiro, dezembro de
1997).
2) BP: Como está sendo a repercussão
do livro no Brasil?
Zara: Seis meses após ter sido publicado, a repercussão
está sendo cada vez maior. Tenho viajado fazendo
lançamentos em todas as capitais brasileiras, dado
diversas entrevistas e palestras sobre o livro. Há
já interesse em fazer a tradução
dele para inglês, francês e alemão.
O livro tem agradado a diversos tipos de pessoas por ter
sido escrito em linguagem coloquial e discutir temas filosóficos
de uma forma muito simples.
3) BP: Qual a importância do livro para o público?
Zara: O livro trata de temas que dizem respeito a todos:
amor, paixão, sexualidade, felicidade. Ele provoca
grande interesse junto aos leitores por sua abordagem
diferenciada desses assuntos essenciais. Nele ocorre um
diálogo muito íntimo no qual faço
perguntas e recebo respostas de mim mesma que surpreendem
pelo que têm de prático e profundo ao mesmo
tempo. As pessoas conseguem se identificar com esta forma
porque todos têm, de uma maneira ou de outra, essas
"conversas" consigo mesmos. O diálogo
interior tem um papel fundamental porém ainda bastante
inconsciente na rotina do ser humano.
4) BP: Qual foi sua inspiração para escrever
um livro sobre a paixão?
Zara: A paixão sempre foi para mim a energia motivadora
da existência, aquilo que mais nos transforma, nos
faz avançar, crescer, sonhar, acreditar nos sonhos...
É a vibração fortíssima que
pode ocorrer entre duas pessoas mas é também
tudo aquilo que nos fascina, nos faz vibrar e nos dá
sentido. No livro a paixão é abordada como
sendo a energia mais potente que podemos conhecer e direcionar
em nossas vidas para alcançar tudo aquilo com que
sonhamos tanto afetiva quanto profissionalmente.
5) BP: Por qual motivo você se refere a Deus
como "Deusa" em seu livro?
Zara: "A Ciência da Paixão" trata
o fenômeno da existência em termos de energia,
o que desfaz a ilusão da separação
e reconecta o ser humano ao mundo no qual vive, fazendo
compreender que existe um processo energético maior
que se manifesta dentro e em volta dele. Este processo
seria o divino, ou Deus.A Deusa seria uma forma de alertar
para o renascimento do "feminino" no mundo atual,
o que seria uma evolução do movimento feminista,
que reflete a consciência de que, para a criação,
são necessárias as energias feminina e masculina,
ou seja, Deus e Deusa, a face feminina de Deus. Uma sociedade
que busca ser mais justa e feliz terá que reavaliar
tudo o que foi criado até agora, adicionando um
"toque feminino" para reorganizar o caos vigente.
6) BP: Como Paulo Coelho tomou conhecimento da sua
obra e citou trechos do seu livro em "Onze Minutos"?
Qual a relação que vocês mantém?
Zara: Paulo e eu somos amigos há alguns anos. Ele
tinha planejado há algum tempo escrever um livro
sobre sexo. Quando contei a ele que havia escrito sobre
paixão e sexualidade, ele se interessou e pediu
que enviasse meu texto. Depois de alguns dias ele me contactou,
entusiasmado, pedindo autorizãção
para usar trechos de "A Ciência da Paixão"
no livro que estava escrevendo.
7) BP: Quais são suas expectativas para o lançamento
de "A Ciência da Paixão" nos EUA? Zara: O evento está sendo organizado por Ivan
Silva que é um leitor entusiasmado com o livro.
Ele vive nos EUA e estava passando férias em Curitiba
quando o comprou. Sentiu que tinha que me conhecer, o
que, por uma série de coincidências, aconteceu
logo em seguida. Nos encontramos por algumas horas, depois
disso mantivemos contato, e logo surgiu a idéia
de lançar o livro em português junto à
comunidade brasileira nos EUA, e posteriormente lançá-lo
em inglês.
Sugestão de Boxe: "Tenho certeza de que o
evento será muito bom, como tem sido em todos os
lugares por onde tenho passado. Parece que o livro, de
alguma forma mágica, desperta de fato a paixão
em muitas pessoas! O que, é claro, é muito
bonito para mim".
Perguntei à Antonella Zara, autora de Ciência
da Paixão (Editora Fissus, RJ - 2002), como fazer
para compensar a roubada cultural em que se metem os que
intentam buscar na escola formal e convencional o devido
preparo para a vida; e que remontam à casa dos
milhões, na sua maioria jovens, abertos à
curiosidade intelectual, é verdade, mas fechados
todos em rematada credulidade numa razão posta,
aliás, prática. Ou, quem sabe, imposta?
Ela se deu um tempo - como que viajando em vácuo
de formulações para repetir-me em endosso
e reforço: Como fazer? Observei então que
via na sua obra um passo dado nessa direção.
Por quê?
Acontece que não levara o livro à sua mesa
para autenticação autográfica sem
antes folheá-lo e ler, à esmo, trechos que
confirmassem sua densidade conteudística, bem como
sua linha de orientação. De fato o livro
não padece do insosso de vazios e ociosidades.
Não! A publicação acrescenta, seja
pelo novo que traz ou síntese em que se constitui
do velhíssimo assunto da transcendência.
Velho? Aqui nem tanto. O orientalismo esotérico,
a questão escatológica e transcendental
é posta entre nós, mas por segmentos mais
conscientizados e espiritualizados. Grupos restritos de
"iniciados" ou quase. O grosso mesmo de nossa
visão cultural é o racionalismo cartesiano,
seriado, compartimentado, moldado às vezes por
método esquemático e rígido. Quando
não o pior: massificado, turvado em opacidade limitante
pelo açodamento da razão prática
ou nossa razão pública. Razão imposta?
Claro é que em meio à avalanche da ganga
cultural, há ilhas de excelência. Excelência
técnica ou mesmo "científica",
em que pese haver muita tecnologia travestida de ciência.
E ciência, como sabemos, e para sermos atualizados,
envolve mais parâmetros que os limitados à
ortodoxia positivo-racionalista. Especialmente, repita-se,
se formatados em esquematismos submissos aos prógonos
da eficácia e imperatividade lucreira. Como sói
ser do gosto do Ocidente "cristão" urbano-industrial.
AZ saiu dessa. Livrou-se da rigidez cosmovisiva racionalista
apesar de ter nascido no Rio de Janeiro e cumprido a fase
de juventude na Europa. Saíra, então, amadurecida
para o mundo, indo logo buscar iluminação
na experiência de andar muito, sozinha, trilhando
o famoso "Caminho de Santiago". Perto estava
de nos dar Ciência da Paixão, obra na qual
recoloca, refaz e muitas vezes resume, em boa síntese,
o veio orientalista de pensamento e cultura, resgatando
a compreensão aprofundada da força original
das coisas ao dizer de energia. E, curiosamente - revela
ela - aprofunda-se na dimensão transcendente, na
espiritualidade com um Xamã. Enfim Antonella Zara,
como se pode observar, transita na fímbria que
une (ou divide) os campos separados da tradição
cultural oriental e o racionalismo ocidental - mais exatamente
o iluminismo europeu; o racionalismo cartesiano cabendo,
entretanto, ressalvar a faixa civilizacional intermédia
entre o Ocidente e o Oriente: o mundo eslavo. Não
por acaso, teria sido na velha Rússia onde a confissão
e cosmovisão budistas tiveram a primeira acolhida
fora dos domínios territoriais originários.
De resto, não somos dos que estranham o interesse
da autora pelo xamanismo, vez que nossos índios,
onde pontificam Xamãs, são uma orientalidade
tropicalizada e não o contrário: tropicalidade
orientalizada. Vale o registro de que submetemos um tal
enunciado ao mestre Gilberto Freyre, tropicalista insigne
e este o cooptara em pronta e espontânea declaração,
testemunhada: "queria ter sido eu a dizer isso; observar
essa questão de fundo...
"Anote-se que a obra nascera gêmea da fama
e fortuna quando teve, tomados por empréstimo,
trechos para integrar o "best seller" Onze Minutos
do escritor Paulo Coelho. O empréstimo se destinara
a compor parte do diário da Maria, personagem do
livro mencionado e que embarca para a Suíça
(Genève), em busca de sucesso profissional e logo
cai na realidade nua e crua da vida de prostituta. Não
terminei, ainda, de ler nem um, nem outro, mas já
o bastante para perceber que estamos diante de um caso
consumado de reesquadrinhamento da razão e que
a emoção pode - sim senhor - recobrar espaço
e importância. Seja assim e sempre! joaovieira01@globo.com